“As sufragistas” e o movimento feminista

Ontem assisti “As sufragistas”, filme dirigido por Sarah Gravon, roterizado por Abi Morgan e estrelado por ninguém menos que Meryl Streep, Carey Mulligan e  Helena Bonham Carter.

O longa conta a história da luta das mulheres inglesas pelo direito ao voto, e é maravilhoso do início ao fim. A sinopse diz o seguinte:

“No início do século XX, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Maud Watts (Carey Mulligan), sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. Ela enfrenta grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios.”

Essas décadas de manifestação pacífica somaram 50 anos, e o voto das mulheres aconteceu apenas em 1918, com diversas restrições. No Brasil, as mulheres conquistaram o direito ao voto apenas em 1932, e na Suíça, em 1971 (!). Ou seja, na maior parte do mundo, faz menos de 100 anos que nós somos consideradas cidadãs – princípio básico para a liberdade individual.

O filme renovou minhas energias. É muito emocionante ver tantas mulheres fortes, lutando pelo básico do básico. É claro, continuamos lutando pelo básico (sair de casa sem sofrer nenhum tipo de agressão, por exemplo), e apesar de parecer um caminho tão longo, é reconfortante ver os avanços do movimento feminista nesse período e a força que ganhou nos últimos anos.

Movimento este que não é um só. Enquanto eu, branca, universitária, classe média, sofro com os assédios sexuais na rua, assédio moral em ambiente de trabalho e estudos, ridicularizações, humilhações, diminuições e todo tipo de machismo velado, há muitas que sofrem com o machismo explícito, e ainda não conseguiram se livrar das amarras mais cruéis do patriarcado.

Há muitas que sofrem com o machismo e racismo. Machismo e desigualdade social. Machismo e transfobia. Machismo e lesbofobia. E o feminismo ainda está só começando a atuar nestas ramificações, um caminho é muito longo, mas urgente.

Tanto que, ao chegar em casa, vi uma matéria dizendo que, após 55 anos da inauguração do Plenário do Senado, a casa terá um banheiro feminino. Isso mesmo, as senadoras não possuem sequer um banheiro no Congresso Nacional, e tinham que se dirigir a um restaurante para fazer um xixi.

Quando Brasília foi inaugurada não se pensava em mulheres fazendo política: podemos votar, mas votar nos homens – o que resulta em um parlamento com 81 senadores, mas menos de 15% são mulheres.

Mesmo tendo conquistado o direito ao voto há 84 anos, era impensável que mulheres comandassem o país e pudessem tomar decisões para a nossa sociedade. Isso sempre esteve nas mãos do homens, em todos os níveis e hierarquias sociais.

E é por isso que continuamos lutando. Se começamos com o direito ao voto, vamos até conquistar todos os espaços de fala e tomada de decisão, para todas nós. Só queremos ter nossa cidadania plena, e isso não é (ou não deveria ser) nenhum privilégio.

“Nós quebramos janela, incendiamos coisas, porque a guerra é a única língua que os homens entendem”:

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