Um mês de Porto!

Dia 12 completou meu primeiro mês aqui na’zeuropa. É foi um borbulhão de acontecimentos que fica até difícil organizar uma linha de pensamento para falar sobre tudo. Por isso, resolvi colocar tópicos de coisas interessantes que vi e vivi nesse primeiro mês.

  • Não tem catraca no metrô.

Na primeira semana achei isso maravilhoso e libertador. Vi como uma responsabilidade social muito grande, como se cada cidadão fizesse sua obrigação por saber que era o correto e não por haver uma cobrança sobre isso. Mudei de ideia. É claro, esse modelo tem seu lado positivo, mas há fiscais que passam dentro dos trens para ver seu bilhete, e se você não validou corretamente tem que pagar uma multa (não sei se é de 10 ou de 100 vezes o valor da passagem). Ou seja, é a mesma coisa que ter uma catraca ali permitindo ou não sua passagem, só que corre o risco de você não validar ao mudar de trem – não por maldade, mas por esquecimento –  e ter que pagar uma baita de uma multa.

Para quem cresceu aqui o sistema metroviário é bem simples, mas quando alguém vem de fora demora um pouco para entender o funcionamento. Isso porque ele é dividido por zonas, e você paga de acordo com a quantidade de estações que vai percorrer: se for para um lugar próximo, dentro da mesma zona, é um preço, se for para um lugar mais longe o preço é outro. E cada vez que você troca de trem precisa validar seu cartão novamente, sendo que dentro de uma hora é gratuito, passou de uma hora tem que pagar de novo.

Ou seja, ainda tô confusa e com medo de esquecer de validar o bilhete! hehe.

  • Noção de distância

Continuando no tópico “transporte público”, é muito engraçado ver a noção de distância de alguns portugueses. Sempre recomendam que você vá de transporte público, seja ele o ônibus (autocarro) ou o metrô, quando a distância se aproxima de 1 km. Da minha casa até a faculdade eu levo 20 minutos caminhando, e com todos com quem eu conversei contando que fazia esse trajeto a pé, me olharam espantados. “Mas é muito longe!”, ou “Sabias que tem autocarro para este trajeto?”.

Tô unindo o útil (economia) ao agradável (atividade física).

  • Chove chuva, chove sem parar.

Na verdade a chuva tem diminuído, ainda bem! Mas têm chovido pelo menos uma vez por semana. Daí vem o lado ruim de caminhar e não usar o transporte público… E o clima aqui é coisa de louco, nunca vi isso no Brasil. Chove e faz sol em um curto intervalo de tempo, e essa variação se repete várias vezes ao longo do dia. Já aconteceu de, num espaço de 15 minutos, estar sol, cair um toró e voltar a fazer sol novamente.

O maior problema é que venta muito. Mas muito mesmo. Ao ponto de não permitir que você caminhe contra o vento. E os guarda-chuvas, coitados, mal sobrevivem. Tive que comprar um novo, reforçado, que não é amplo como os do Brasil. E mesmo assim ele só é útil se não ha vento.

  • Banho rápido x Banho frio

Ah, que saudades do chuveiro elétrico! Eu moro num apartamento antigo, e por esse motivo ele não tem aquecimento central. Não pega sol no meu quarto durante o dia, e a temperatura durante a noite está sempre abaixo dos 10ºC. Para fechar o combo do desespero, a água é aquecida em uma especie de cisterna, que comporta 100 litros de água.

Agora segue o raciocínio:

1 – Conforme você utiliza a água quente, essa cisterna vai se enchendo de água fria, e, consequentemente, a água fica morna.

2 – Um banho de 5 minutos gasta em média 45 litros de água.

3 – Somos em quatro mulheres, e temos cabelo pra lavar.

Pois é, ainda estamos nos entendendo aqui para que todo mundo consiga tomar banho quente. Até porque, somado a tudo isso, tem o fator “vento”, que além de destruir guarda-chuvas encontra infinitas frestas pra entrar, seja no seu casaco, seja na sua casa. Imagine, então, quando você está molhado por conta do banho…

  • Parece que tá ruim, mas não tá.

É tudo adaptação.

Eu sai dos 40º brazucas para chegar no inverno português, e viver sensações térmicas de -2º. Encontrei pessoas que acham que sabem mais sobre o Brasil do que nós, brasileiros. Encontrei pessoas que dizem que falamos errado. Encontrei pessoas que afirmam, de modo convicto, que “o Brasil é o pior país para morar”, mesmo sem ter postos os pés aí. E eu to vivendo aquele troço de eu-posso-falar-mal-do-Brasil-e-você-não-pode.

Aprendizado.

E a cidade é maravilhosa, me sinto muito segura por aqui. Há inúmeros pontos turísticos e passeios para fazer diariamente. E como disse, tudo é perto. É só sair comprar um pão que a gente acaba tropeçando num lugar bacana com uma paisagem legal. E entrar em contato com vivências tão distintas é enriquecedor e, ao mesmo tempo, mostra como as pessoas são parecidas, mesmo em diferentes povos.

Também me deu uma nova noção sobre o tempo – que agora parece que passa ainda mais rápido. Como isso é possível?

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One comment on “Um mês de Porto!

  1. Oi, Veri! Gosto muito da maneira como traz suas experiências aí em Porto. Diria que são mais que reticências, talvez muitas formas de pontuar um texto vivido e escrito nos intervalos de sua rotina. Para mim, é um jeito interessante de compartilhar as coisas que vê, que pensa, que te causam estranheza ou admiração. A experiência da viagem vale a pena, sobretudo, a partir de como lhe atribuímos sentidos e de como fazemos os registros das coisas que nos causam impressão. Estou te seguindo. Beijo!

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